domingo, 17 de fevereiro de 2013

Ética: pra que serve, além de me ferrar na prova de filosofia?

Bom, eu estava indo dormir, mas tenho um pouco de insônia e já selecionei algumas aulas pra tirar um cochilo amanhã, então resolvi gastar alguns minutinhos aqui abordando um tema praticamente não abordado, ou não abordado de maneira apropriada, pelas escolas: a ética.

Bom, a palavra "ética" vem do grego(como quase tudo no mundo ocidental rs) e significa mais ou menos "o que pertence ao caráter"(vlw wikipedia!), isto é, aquelas espécies de regras que mais são convenções sociais  do que qualquer outra coisa e que pautam o "bom comportamento" do indivíduo, na esfera privada e na pública(aquelas coisas de bons costumes). Pois bem, esse amontoado de regras, teoricamente, podem ser organizados para formar a conduta ideal, aquilo que faria com que os homens agissem de tal forma que tudo seria lindo e maravilhoso e toda essa baboseira, e abrangeria todos os aspectos da vida do indivíduo, desde a alimentação até a forma como ele se dirigiria às outras pessoas. Para os interessados em se aprofundar na formulação dessas regras e nas justificativas para tanto, tem duas obras que tratam bastante disso: a primeira se chama(rufem os tambores…………) "Ética"! E é do Spinosa. Nela ele aborda vários outros aspectos até chegar à ética, como a liberdade e o afeto, por exemplo, passando pela metafísica. A segunda, adivinhem só, se chama Ética também! Só que "Ética a Nicômaco", do Aristóteles. Essa em especial estou lendo agora, em parte para a escola, em parte por curiosidade, e mais tarde vou fazer um post decente sobre ela. Por hora, quero tratar de outras coisas, e não da ética em si, mas, por exemplo, de como ela é abordada, como poderia ser melhor abordada e porque é tão difícil abordá-la.

First things first, falemos sobre como ela é abordada nas escolas, pelo menos nas que eu já vi. Bom, ética é sempre aquele assunto que deixa todo mundo entediado, porque parece um pouco com mamãe e papai querendo nos ensinar o que não fazer, como agir e muitas vezes sem nem dizer o porquê, e imagina gastar preciosos neurônios e tempo ouvindo e lendo uns gregos de milhares de anos fazendo isso no lugar dos seus pais? As escolas se prendem muito à teoria, ao lado pragmático dessa questão, falando da importância no mundo antigo, da coesão social que isso conferia às antigas cidades-estado etc. Falam do laconismo em Esparta e explicam como isso era importante para a formação de uma sociedade militarizada que poderia sobreviver e se impor diante de outras, menos fortes e menos coesas e tal, mas eu aposto que você fica lá olhando puto só esperando o sinal tocar enquanto isso está sendo discutido, não? Pois é, você não está sozinho. A abordagem não é plena porque mexer com ética é mexer com uma série de valores, e nós, infelizmente, não vivemos num país onde há o diálogo entre pais e mestres na formação educacional do cidadão, e mais, vivemos numa sociedade que se amarra em meter um processo em professores que tentam fazer algo como inovar no ensino e coisas do gênero, então o resultado é: você puto, o professor frustrado e seu pai indignado com seu 4 em sociologia/filosofia. Passemos então para uma abordagem "um pouquinho melhor" da questão.

Você sabia que Aristóteles já abordava a fofoca que sua amiga(sem machismos de minha parte, galera, conheço vários cuecas que se amarram em fofocar sobre a gatinha do fds também) faz na hora do intervalo depois DAQUELA festa? Pois é, ele trata da quebra de confiança, de "contratos", porque ética também aprecia isso: a forma como você lida com suas amizades; as relações de confiança entre amigos, namorados, pai e mãe e muito mais! Se fosse pra estudar ética na prática, você teria que aprender a lidar com situações extremas e cotidianas, e a partir delas, desenvolver uma linha de raciocínio que fosse coerente com seus ideais, os quais adviriam das suas vivências e de suas ideologias(aposto que tá confuso né? rs). Explicando melhor: você teria que arranjar um jeito de agir, isto é, adotar uma conduta, que servisse pra você lidar com situações bobas, como rejeitar o convite de alguém, e situações complexas, como ter que escolher entre salvar uma vida ou outra. Ética deveria ser ensinada assim, dando aos alunos as ferramentas para construir as normas da vida de cada um, de forma que fosse coerente com a privacidade de cada um, o modo de ser feliz de cada um e as leis(é, sem anarquismos, galera rs), fazendo isso, imagina como o pátio da escola seria menos cheio de idiotices supérfluas e os presídios mais vazios. Deveríamos ler as obras e debater os porquês disso e daquilo e daquilo outro, chegando em pontos de concordância e debatendo amigavelmente as divergências, e não ficar copiando o que Nietzsche tinha a dizer sobre o assunto, mas a prática tem perdido lugar hoje em dia por conta dos vestibulares e das escolas mais conteudistas, o que nos leva ao nosso último assunto acerca da ética: porque é tão difícil abordá-la.

Não sou nenhum especialista em nada disso, que fique claro, minhas opiniões são de um rapaz que estava entediado às 23:00 do domingo e não queria ver o Fantástico nem o Pânico(e a NFL ainda não começou rs), mas de uma coisa eu sei: não nos incentivam mais a pensar de forma criativa. Eu mesmo fico agoniado com a quantidade de clichês que podem resumir grande parte da minha vida, e isso tudo acaba influindo no modo como nós lidamos com tudo, até mesmo assuntos com a "ética" e filosofia em geral. Incentivar a criatividade não é jogar uma folha na nossa frente e falar "vai, menino! Seja criativo!", não não, é arranjar meios de despertar a vontade de se esforçar, porque requer bastante esforço, e desenvolver pensamentos inovadores a partir disso, mas bem… isso é difícil pra caramba, galera. Imagine ai você sendo professor num país onde ainda tem gente que acha que isso não é profissão séria. Tendo que conviver com várias pessoas desinteressados pelo o que você tem a dizer e ainda por cima recebendo um salário que mal cobre as despesas da sua família?! Bom, é foda mesmo incentivar algo numa situação assim. Agora imagina ai, com tudo isso, abordar o assunto "ética", que mexe com a educação que seus país te deram? Porque é isso, mexer, moldar os valores, questioná-los e requestioná-los sempre, aprimorá-los para que eles venham a ser de tal forma claros que a convivência social seja harmoniosa e boa. Eu falei ali em cima que não há diálogo entre pais e mestres, mas em vários casos é bem pior que isso; em vários casos os pais processam professores sem motivo, tirando algumas liberdades que esses vinham a ter. Sei que tem casos que o professor está errado, vários casos por sinal, mas mesmo isso limita a ação do mestre. Tudo isso afeta a liberdade que o professor deveria ter para trazer debates mais complexos e profundos para os alunos, como células tronco, aborto, legalização de drogas etc, que é uma necessidade do mundo de hoje, para podermos avançar, mas avançar sabendo para onde estamos indo(ou pelo menos tendo uma ideia, já que a vida é tão complicada rs). Com isso formamos jovens que emitem opiniões sem saber nada sobre os assuntos em questão, ou que se abstêm de emitir qualquer opinião: preferem encher a cara na Bulla sábado a noite e é isso, ficam por isso mesmo(nada contra, desde que você saiba que a vida não se limita a isso). Oras, no Japão o professor é o único funcionário público que não tem que se curvar na presença do imperador! Aqui no Brasil tem uns deputadozinhos que se acham muito melhores que um mestre da educação. Mas bem, finalizando meu ponto, porque amanhã é dia de branco, quero dizer que esse é o problema da abordagem de várias coisas nesse país, principalmente da ética: ninguém sabe ao certo como se portar e poucos estão dispostos a sentar e, harmoniosamente, chegar a pontos comuns que possam apaziguar conflitos e melhorar relações.

Finalizo esse post dizendo a vocês que sempre que discordarem de algo que eu diga, ou se quiserem complementar/corrigir/debater algo, podem me procurar, seja na escola, na rua, no fb, no twitter, whatever. Estarei sempre disposto a participar debates construtivos, porque é isso que tá faltando no mundo: conversa amistosa sobre temas importantes, ou pelo menos mais importantes do que o campeonato carioca.


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