quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

C'est la Vie

Essa vida de terceiro ano não é mole não, rapaz! Achei que não teria mais tempo pra nada hoje, além, é claro, de averiguar os braços de Morfeu durante minhas 8 horinhas necessárias, mas o bom Universo conspirou para que eu recuperasse minhas forças, há horas perdidas, de modo a permitir-me tentar espremer algo dessa minha cabeça e  gentilmente ordenar esse sumo pseudointelectual nesse post. Se não para contribuir com as questões mundanas importantes, para pelo menos falar um pouco sobre o tempo, o jogo do Barça ou sei lá. Anedotas infâmes à parte, falemos sobre uma coisinha que vem martelando na minha cabeça há algum tempo e que, universalmente, mexe com a cabeça de todos os habitantes desse montículo de terra orbitando ao redor do sol, que chamamos de casa, seja o PhD de Harvard ou o subproduto de estereótipos das instituições de ensino de Brasília: o amor.
 Ah, o amor! Que coisa mais incomensuravelmente complicada! "Quem inventou o amor? Me explica por favor" já diria Renato, dando voz a tão somente todo o resto do mundo. Amor, ta aí algo que é anacronicamente cruel e cego, extremamente cego; tanto no sentido de não se deixar ser domado pela vontade "escolhedora" dos seres humanos, quanto no sentido de fazer umas verdadeiras merdas, com o perdão(?) da palavra, na vida de muitos, ou devo dizer quase todos? São raras as pessoas que acham de primeira a outra metade da laranja e alcançam o felizes para sempre(na verdade, essa última parte, ao meu ver, não é alcançada nunca, mas deixemos isso baixo rs). Esse amor, alguns teóricos sobre o assunto dizem, é tanto um fato social, por estar presente nas mais diversas formas de sociedades e as ordenam e moldam, como também um produto biológico do nível de complexidade das demais emoções, capacidades "abstracionais"(me amarro em neologismos, rs) humanas. Resumindo: não tem pra onde correr, meu caro, querendo ou não querendo, em algum momento de sua mísera existência, você há de se deparar com aquele ser que lhe causará sudorese, tremedeiras, taquicardia, alteração na produção de certos hormônios e todas as outras "deliciosas" sensações que vêm de brinde no pacote do cupido, por isso não fique triste, mas aceite isso como algo a ser vivido de forma boa(ou menos pior, em alguns casos). Vejamos então uma breve evolução desse sentimento e depois concluamos: por que essa necessidade de se atrelar a alguém?
Para falar um pouco dessa evolução, gostaria de mencionar uma estorinha engraçada que outro dia, na aula, meu professor de História me contou sobre esse amor que tanto nos instiga. Ele começou a aula diferenciando os tipos de amores "catalogados" pelos gregos, sendo eles: "Filo", que representaria o amor fraternal, como o do FILÓsofo pela FILOsofia, ou de algumas meninas por suas BFF's; o "Ágape"(não, não é o livro do padre Marcelo Rossi, embora se relacione com ele, em maior ou menor grau), que representaria o amor por uma figura de autoridade, envolvendo assim o respeito e a admiração, como a um deus, ou a seus pais, ou a qualquer figura que desperte em você um "quê" de reverência; e, por fim, o amor "Eros". Esse último é o que estamos abordando e o dono da estorinha que mencionei, visto que ela tem como tema central justamente o nascimento do deus grego Eros. Resumidamente, a estória nos conta que Pínia, a personificação celeste grega da pobreza(que fique claro que pobreza, no sentido mais filosófico e afastado das concepções capitalistas, é a "necessidade"), chega ao banquete de comemoração do nascimento de Afrodite, deusa da beleza, para mendigar comida. Lá sendo rejeitada, ela se depara com um outro deus, Poros, quadrilouco de tanto beber um néctar digno de Dionísio. Poros personifica nada menos do que a riqueza, no sentido de dispor daquilo necessários para se atingir os objetivos almejados(na Grécia, isso seria o ideal de perfeição intelectual e física, hoje em dia, seriam as verdinhas com a cara do Ben Franklin estampada all over it). Vendo isso, Pínia se aproveita e dá aquela fugidinha com Poros, e dessa união surge Eros.
Analisando a estória sabendo que os gregos eram um povo extremamente racional e que, diferente do que a maioria acha, os intelectuais compreendiam muito bem os mitos como analogias a questões filosóficas, podemos enxergar grande parte da opinião clássica acerca do nosso querido Eros. Oras, ele é filho da necessidade! Da ausência daquilo que satisfaz as necessidades básicas, sendo assim ligado à necessidade de estar buscando algo constantemente(dai vem tantos textos do Caio F. Abreu e Augusto Cury sobre o assunto no fb, se é que vocês me entendem rs), "mendigando" como Platão se refere ao caso n'O Banquete, de modo a sobreviver; criando projeções em terceiros, de modo a satisfazer-se; a necessidade de se completar levou à busca pela riqueza de outro deus. Mas também possui certo sangue azul, pois é filho da conveniência e dos meios de se atingir o que se deseja(Poros), facilitando nossos encargos e, uma vez completada as "necessidades", torna-se quase que um aliado. Ainda há mais sutilezas no conto que nos fogem numa análise rápida. Por exemplo: verifica-se a INSEPARÁVEL(essa vai para os hipócritas de plantão) ligação com a BELEZA, pois foi gerado no momento de nascimento da beleza, da sensualidade(Afrodite) e tornou-se mais tarde seu mais fiel servo. Isso tudo serve para mostrar a anacronicidade desse sentimento. Mostra-nos como somos apegados e amarrados a ele há tantos e tantos séculos, mudando alguns focos e padrões, sim, mas em essência mantivemo-nos cristalizados em se tratando de formas para lidar com ele.
Vista toda essa abordagem, mas desconsiderando uma aqui e outra acolá, cabe a nós refletir sobre a veracidade dessa nossa necessidade companheirística de ter alguém do nosso lado. Aos meus amigos não é segredo o quanto eu já penei(e peno) lidando com essas artimanhas necessárias à arte-semi-dança de Eros e Afrodite(isto é, já tomei muito pé na bunda), mas uma coisa é certa: poucas coisas na vida, ao meu ver, chegam perto do que se sente ao se estar na presença da pessoa de quem se gosta. Poucas coisas nos deixam tão fora de nós, nos transforma e nos faz passageiros em montanhas russas de sentimentos, que se emparelham nos nossos corpos e transbordam corpo à fora, como quando vemos a pessoa amada sorrir para nós, sabendo perfeitamente bem que aquele sorriso nos pertence, é nosso e de mais ninguém; não nos pode ser tirado por nada nem ninguém uma vez dado. A vida, além de breve, é complicada demais para sabermos o que fazer dela e seguir dogmaticamente essa ilusão. Sabemos(ou pelo menos nos é tentado fazer acreditar) que temos de estudar, nos formar e seguir alguma carreira. Mas eu pergunto: o que precisamos além do amor? Claro que muitas vezes vamos encontrar pessoas que nos decepcionarão(acreditem, eu, mais do que MUITOS, sei bem o que é isso rs), mas tendo ao seu alcance um verdadeiro receptáculo de felicidade, como o que é quando se ama e se é amado de volta, por que se importar com coisas superficiais? Já fui muito cético em relação a tudo isso, e continuo achando, hipocritamente, que meu caso está além de ajuda, mas vejo tantos e tantos exemplos de casais que deram certo, mesmo com dificuldades inimagináveis. Vejo, por exemplo, casais de homossexuais que lutaram contra todo um preconceito, engendrado nos mais diversos estratos sociais, sendo felizes só por terem um ao outro. Vejo casais de idosos dando novas chances ao amor mesmo depois de toda uma vida de experiências às vezes não muito frutíferas nesse quesito, e vejo muitos e ainda mais exemplos, e todos me mostram que, em algum momento, há de se achar alguém para deitar e ver o céu, apreciar um vinho, ler um livro, olhar nos olhos ou tão somente aproveitar a presença um do outro, e creio que é esse o momento no qual transcenderemos vários conceitos, como o de posse da pessoa, e as coisas ficarão mais simples, como Paul McCartney descreveu em "Here, There and Everywhere".
Fechando esse post(e o meu dia, afinal amanhã eu tenho cerca de 10 horas de aulas e já são 20:30), gostaria de pedir a todos, por mais romântico que soe, para que não tentem evitar o amor, nem tampouco tente se forçar a sentir aquilo que não se sente verdadeiramente. Paciência é das virtudes mais difíceis de ser alcançada, mas nunca é tarde para começar a praticar, e as recompensas são tão grandes e tão intensas(enquanto duram) que pode valer à pena se jogar em alguns precipícios, e digo precipícios para que não se enganem. Confiar toda uma gama de sentimentos e sensações(seu coração) a alguém é precisamente isso: pular num abismo e torcer para que a pessoa te segure. Às vezes algumas vão te deixar cair, sim, mas, na queda, pode-se achar pessoas dispostas a dar a mão e te resgatar, e é nesse momento que você começa a voar.

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