quarta-feira, 13 de março de 2013

Habemus Papam

Não é que o cristianismo deva sofrer uma mudança, é que ele MERECE ter uma série de reformas na sua base ideológica. Uma religião que nasceu progressista em relação aos costumes da época e que pregava, ACIMA DE TUDO(coisa que pastores, padres e papas costumam esquecer ou fingir não lembrar) o Amor ao próximo, não pode se deixar enveredar por caminhos diametralmente opostos às concepções que Cristo deixou nos seus escritos. Se você hierarquizar a importância das personalidades que ajudaram a estruturar o corpo central do cristianismo, creio eu que Jesus deva ficar em primeiro, seguido de São Paulo. O que se sucede é que ambos pregavam a renovação de conceitos arcaicos e anacrônicos, os quais não condiziam com uma sociedade que havia sofrido profundas mudanças tanto em termos de instituições constituintes, quanto no modo de relação interpessoal, que logicamente leva a mudanças ainda mais profundas e sutis no pensamento humano e, portanto, na concepção de divindade e do lugar do homem, enquanto homem, na sociedade e no próprio mundo. Portanto não deve-se nunca deixar de considerar o bom senso como uma importante variável no equacionamento das problemáticas sociais das quais o cristianismo trata, dando preferência sempre à INTERPRETAÇÃO de conceitos cunhados ao longo de anos de debates, em detrimento à cega dogmatização de preconceitos. Só assim, acredito, o cristianismo encontrará seu lugar ao sol perto dos jovens, que, mesmo muitas vezes com imensa curiosidade a respeito de assuntos teológicos, não mais entendem as divergências e hipocrisias de um sistema que não preza pelo diálogo, mas pela doutrinação do poder pelo poder e para o poder, abordando insensivelmente temáticas como a dos métodos contraceptivos e dos anencéfalos. Só assim vários jovens deixarão de ver o cristianismo como fruto do culto à ignorância e do abandono da liberdade própria de pensamento, e enxergarão uma Igreja como a que proporcionou, por exemplo, a criação de uma juventude extremamente politizada e bem articulada, a JUC, que viria a resultar num dos maiores movimentos de oposição ao regime militar. Só assim a Igreja retomará a função primária e maior, designada por Jesus a São Pedro, e que há muito vem sido manchada e deformada por bulas e tratados: a de farol dos fiéis, que nada mais querem do que o conforto de saberem que a casa do senhor a todos atende e a todos aprecia.